CARREIRA & NEGÓCIOS

Workaholic: ser ou não ser, eis a questão


Flickr, crédito Hardleers

Um negócio que está em certo desuso no mercado corporativo é a imagem do sujeito workaholic.

Lembrando (ou esclarecendo para os mais jovens): na década de 80 e um tanto na década de 90, era muito difundida a ideia de que o sujeito tinha que trabalhar muito, mas muito. O resultado pouco importava. Daí surgiu a expressão “workaholic”, derivado do alcoólatra, aquele viciado na bebida, o workaholic é viciado em trabalho.

Alguns associam isso à filosofia calvinista, onde não há espaço para a ociosidade e a prosperidade se atinge através do trabalho. Logo, se eu trabalhar 16 horas por dia atingirei a prosperidade duas vezes mais rápido que se eu trabalhar 8 horas por dia.

Bobagem…

Mas alguns não têm jeito. O intenso processo de redução de custos (inclusive de pessoal) nas empresas está fazendo hoje em dia pessoas trabalharem por duas, às vezes por três. Esses são aqueles que chegam cedo, saem tarde e quando chegam em casa estão tão esgotados que não conseguem curtir o filho, a esposa (ou marido), o cachorro, o seriado na tv, …

E outros? Têm aqueles que precisam provar que trabalham muito. Seja por uma síndrome de pouca efetividade, seja por culpa, seja por algum tipo de sociopatia, existem pessoas que gostam e até se vangloriam de trabalharem muitas horas. Muitas!

Tempos atrás conheci um desses. Era curioso porque chegava a me mandar trabalhos repetidos, apenas com algumas variações no texto. Me lembrava o dilema eficiência versus eficácia. Trabalhava muito, gerava sempre conteúdo interessante, mas muitas vezes não era usado prá nada. Ora, por que não usar esse tempo para curtir com o filho?

Voltando mais no tempo trabalhei com um ex-Mckinsey que adorava long hours. Marcava revisão de relatório às 19 horas, se atrasava uma hora, chegava e jogava conversa fora e às 21 horas começava a rever o relatório. Como um bom consultor de gestão, apesar do relatório estar correto e comunicar adequadamente a mensagem, tínhamos que refazê-lo, porque não estava no jeito do amigo mackinseyano. E ele fazia questão de ficar até o fim. Ou seja, saia, 11 da noite, meia noite. No dia seguinte, não conseguia chegar antes das 11 da manhã.

Pergunto: é produtivo?

Entretanto existe o outro lado da moeda. Felizmente (ou infelizmente) hoje em dia estamos 100% conectados. E muitas vezes sou pego tomando um bom e velho esporro da patroa por estar respondendo emails no meio de um jantar. Emails profissionais, claro.

A onipresença tecnológica nos permite estarmos conectados 24×7. E é muito tentador poder responder numa sexta-feira à noite. Alguém pode usar aquela informação no sábado. E possivelmente irá.

Além disso é comum – para algumas pessoas, eu sou uma delas – levar trabalho para casa no fim de semana. Um domingo à noite organizando agenda, fazendo aquele negócio que foi deixado de lado na sexta-feira à tarde, programando a semana, é útil e agiliza a retomada da semana.

Existem ainda os que nunca desligam, mesmo nas férias. Eu por exemplo não me importo quando saio de férias ligar para o trabalho a cada dois ou três dias para saber como estão as coisas. Outros fazem diferente. Preferem desligar completamente, e essa opção deve ser respeitada.

Então qual o ponto de equilíbrio? Ser ou não ser um workaholic?

É muito pessoal. Mas há várias questões que eu tento nortear minha tentação a trabalhar além ou aquém da hora. Vamos a elas:

  • Seu trabalho está sendo efetivo?
  • Isso que você está fazendo efetivamente deve ser feito naquele momento?
  • Suas reuniões são produtivas?
  • Você administra bem seu tempo? (aqui um especial cuidado: já vi gente que se vangloria em trabalhar muito mas fala, fala, fala muito; ou seja, é dispersivo, disruptivo… e depois precisa trabalhar à noite.

E principalmente: cuidado com os sinais de que você está estressando. E cuidado com os sinais que você está estressando alguém.

Eu particularmente acho que ser workaholic hoje em dia está fora de moda. Trabalhar muito é uma necessidade. Trabalhar mais do que precisa para demonstrar algo de pouco valor para os negócios é estupidez.

E você: já encontrou alguém que era workaholic? você é um deles? como você lida com esse tema?

Deixe aí sua contribuição. E vamos em frente.

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