CARREIRA & NEGÓCIOS

Correr atrás de emprego ou fazer o emprego correr atrás de você?


A Veja dessa semana apresenta uma matéria na capa com o título Contratado! Como fazer o emprego correr atrás de você (edição 2270, de 23 de maio; não consegui o link mas quando tiver eu carregarei aqui).

A revista mostra 8 características do profissional mais cobiçado no mercado:

  1. Engenheiro civil;
  2. Ter uma pós-graduação ou um MBA em finanças;
  3. Estudou ou trabalhou no exterior;
  4. Já fez (ou faz) algum tipo de trabalho voluntário;
  5. Cursou um MBA em gestão de projetos;
  6. Fala inglês, espanhol e tem noções de mandarim;
  7. Pelo menos 10 anos de atuação no mercado;
  8. Não se importa em morar em lugares distantes.

Acho a matéria (e a lista acima) interessantes mas atingem principalmente aqueles profissionais na casa dos trinta e poucos anos, com alguns anos já de mercado. Para quem é mais jovem, dois anos de formado por exemplo, a lista é um tanto fora de contexto. E para quem é mais – digamos – jurássico (ou “senior” para ser elegante comigo mesmo), ela não faz o menos sentido.

Falando então para os mais jovens. Você aí que se formou ano passado, ou dois, três anos atrás. O que eu diria?

Os itens 2, 4, 6 (falar lígua inglesa e espanhola hoje infelizmente é básico no mundo corporativo) e 8 são coisas que estão no seu raio de influência. Estudar ou trabalhar no exterior, vai depender de sua condição financeira ou às vezes a sorte de trabalhar numa empresa que lhe ofereça isso. Ter 10 anos de atuação no mercado, é questão de tempo.

Mas a lista é controversa e acho que restrita. Imagine falar para um jovem que acabou de se formar em Marketing: cara, sorry, mas você deveria ter feito engenharia civil. Uma coisa é um mercado HOJE demandando muitos engenheiros (e não apenas Civil; há uma demanda enorme para engenheiro de produção, químico, mecânico, …). Outra coisa é você se formar naquilo que tem mais afinidade, gosta mais.

Conversando recentemente com um jovem recém formado em marketing, e empolgado com essa onda de muito dinheiro para investimentos em projetos de tecnologia, ele me confidenciou: “eu deveria ter estudado engenharia da computação”.

Errado! Ele deveria ter estudado aquilo que ele queria ter estudado. A chance de um profissional dar certo no mercado é tanto maior quanto for maior a afinidade e o prazer dele fazer aquilo que ele gosta.

Acredito que todas as indústrias têm oportunidades. Todos os segmentos. Da engenharia civil ao marketing. Das finanças ao esporte. Do direito à veterinária. Da medicina à arquitetura.

Mas algumas dicas – se é que eu posso me dar ao luxo de dar dicas para jovens sobre isso – modificando um pouco a lista da Veja seriam a seguinte:

  • Falar Inglês, sem dúvida. Espanhol, essencial. Outra língua? ótimo. Mandarim leva tempo. Se você tiver paciência e recursos, comece.
  • Ser “global” – como sugere a lista – é importante. Mas se você não teve a oportunidade de morar um ano na Europa, Estados Unidos ou Ásia, sugiro ler muito o que acontece lá fora. Leia a Fortune.com, leia a The Economist, leia a Wired.com. Óbvio que uma coisa não substitui a outra, mas fazendo isso vai não só manter seu inglês mais afiado como fará você ficar antenado nas novidades lá de fora.
  • Atualize seu LinkedIN, Facebook, twitter. E cuidado com ele. Hoje as empresas olham muito para seu perfil profisisonal antes de chamá-lo para uma entrevista. Um amigo headhunter me disse que hoje antes de chamar alguém para uma entrevista eles procuram a pessoa na rede, o que ela fala, o que ela pensa. É importante você estar conectado, e muito importante você estar adequadamente conectado (curiosamente ou ironicamente este que vos escreve está com sua página no LinkedIN desatualizada; vou resolver isso brevemente).
  • Tenha seu network atualizado e “aquecido”. Ou seja, troque informações de vez em quando com toda a sua rede.
  • E mais que ter um network atualizado, faça as pessoas te acharem. Esteja nos eventos corporativos, faça coisas importantes, divulgue – de forma contextualizada, claro – seus projetos, seus resultados. Faça ser visto de forma elegante. Não fique dentro de uma concha. Ninguém te verá lá dentro.
  • E acima de tudo: paixão! Hoje em dia o mercado é muito competitivo. Boas escolas, falar outras línguas, estar conectado, isso é algo que muita gente já tem. Mas paixão pelo que faz? Poucos, muito poucos.

Isso ajuda? Acredito que sim.. E na hora que acontecer uma chamada de entrevista, aí é com você.

E assunto para outro post.

Vamos em frente.

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2 comentários em “Correr atrás de emprego ou fazer o emprego correr atrás de você?

  1. Vicente muito boas as lições deste e dos outros post’s, o blog esta muito legal, parabéns.
    Ja esta nos favoritos.

    Abs

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