CARREIRA & NEGÓCIOS

A panela não cozinha sozinha


O que o título deste post – e a foto em questão – tem a ver com o tema carreira e negócios?

Calma. Leia até o fim.

Semana passada estava almoçando com um amigo e um amigo deste.

Conversa vai, conversa vem, este conhecido estava empolgado contando sobre uma empresa – vou aqui omitir nomes por motivos óbvios – do segmento de tecnologia, destas que foram criadas na nova economia, receberam aporte de algum fundo de investimento da vida, gastaram o dinheiro e não virou.

Pena…

Eis que o fundador do negócio, junto com os investidores, tiveram uma excelente ideia. Para revitalizar o negócio – isso quem contava era o amigo do meu amigo – foram buscar fulano de tal. MBA em Columbia (ou por perto, não importa). Trabalhou no BTG (ou fundo parecido, não importa).Trinta e poucos anos.

E o sujeito mais empolgado ainda. Ou seja, Currículo acadêmico impecável. MBA numa das melhores escolas de negócios dos Estados Unidos. Trabalhou alguns anos comprando e vendendo empresas em um dos melhores fundos do Brasil. Não tinha como dar errado!

Após breve silêncio na mesa eu perguntei: e aí, virou o resultado da empresa?

Resposta: não!

Após uma rápida gargalhada onde meu interlocutor não entendeu muito bem minha aparente falta de educação, eu tive que me recompor.

Muitas vezes há uma supervalorização de certos perfis profissionais. Enxerga-se demais formação acadêmica, se o indivíduo trabalhou em algumas empresas de grifes – às vezes sem saber se o desempenho e os achievements foram razoáveis – lá dentro e esquece-se de olhar o conteúdo de fato.

Especificamente para um trabalho de turnaround: o indivíduo tem capacidade de liderança. E como capacidade de liderança, ele é capaz de mobilizar todos os quadros da empresa? Ainda: sabe formar equipes? Sabe escolher? Sabe trabalhar com recursos escassos? Sabe delegar? Sabe cobrar? Sabe motivar?

Mais: o indivíduo é hands-on? No popular, ele põe a mão na massa? Ele vai lá no campo ver o que está acontecendo? Tem capacidade de rapidamente entender as questões do processo de negócios e desenhar – em conjunto com o time – soluções boas o bastante para serem implementadas e trazerem resultados?

Certas coisas não se ensinam no MIT, Harvard, Insead, London Business School. Ter MBA por essas escolas é fantástico e conheço profissionais altamente qualificados que passaram por elas. Mas o que os diferenciam são suas qualificações nos dois parágrafos acima.

Tempos atrás eu estava na casa de um amigo, com as famílias. Ele cozinhando um maravilhoso risoto. Entre um dry martini – receita no post https://vcriscio.com/2012/04/06/o-charme-de-um-dry-martini/ – e outro eu brinquei com a panela que cozinhava o risoto. Uma Le Creuset bonita pra caramba.

Ao que esse amigo do alto de sua sabedoria de Chef nas poucas horas vagas que lhe restam, me sapecou na testa cheia de dry martini: panela não cozinha sozinha.

A empresa? Infelizmente continua cambaleando. Parece que ainda está com o mesmo CEO. Mas se for procurar um próximo, espero que tenha aprendido a lição. Não contrate pelo quilate da panela onde o candidato foi cozido. Mas sim pelo seu sabor, tempero, e outros atributos.

Vamos em frente!

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